Minha avó presenteava os primogênitos de cada filho(a) seu, com uma colcha de retalhos que ela mesma costurava. Eram peças simples, mas repletas de um gigantesco amor de vó. Eu sou a primogênita ( e única) de minha mãe e tive a sorte e a felicidade de ganhar a minha colcha, que era pequena pois era roupa de berço. Guardo esta relíquia como quem guarda o maior dos tesouros.
Cresci vendo minha avó sentada à máquina tecendo presentes para seus netos. Imaginava que quando eu crescesse também poderia costurar as minhas colchas.
Assim que aprendi tecer meus paninhos, crochetava cobertores para todas as bonecas, minhas filhinhas jamais passavam frio. Pensava que quando fosse morar sozinha, eu decoraria a casa todinha com peças feitas por mim...
Cresci, fui morar sozinha e concluí : hora de tecer "A Manta".
Comecei firme, lá por volta da terceira cor dei uma paradinha ( de anos), em algum momento bastante envergonhada retomei (mais umas 3 cores) para logo na sequência enfiar o projeto no cesto dos esquecidos. A cada década faço umas quatro ou cinco carreiras e estaciono novamente. Acho que se eu reencarnar umas duas vezes, talvez consiga terminar.
Minha avó é que era batuta: em seis meses produzia aquelas maravilhas.
Mantas são desafios do tempo!



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