quarta-feira, 8 de abril de 2026

A Manta: projeto de um vida ou de toda eternidade ?


Minha avó presenteava os primogênitos de cada filho(a) seu, com uma colcha de retalhos que ela mesma costurava. Eram peças simples, mas repletas de um gigantesco amor de vó. Eu sou a primogênita ( e única) de minha mãe e tive a sorte e a felicidade de ganhar a minha colcha, que era pequena pois era roupa de berço. Guardo esta relíquia como quem guarda o maior dos tesouros.
Cresci vendo minha avó sentada à máquina tecendo presentes para seus netos. Imaginava que quando eu crescesse também poderia costurar as minhas colchas.
Assim que aprendi tecer meus paninhos, crochetava cobertores para todas as bonecas, minhas filhinhas jamais passavam frio. Pensava que quando fosse morar sozinha, eu decoraria a casa todinha com peças feitas por mim...
Cresci, fui morar sozinha e concluí : hora de tecer "A Manta".
Comecei firme, lá por volta da terceira cor dei uma paradinha ( de anos), em algum momento bastante envergonhada retomei (mais umas 3 cores) para logo na sequência enfiar o projeto no cesto dos esquecidos. A cada década faço umas quatro ou cinco carreiras e estaciono novamente. Acho que se eu reencarnar umas duas vezes, talvez consiga terminar.
Minha avó é que era batuta: em seis meses produzia aquelas maravilhas.

Mantas são desafios do tempo!




O Ponto mais lindo

E eis o dilema estabelecido: o ponto ! 
Não gosto de ponto aberto, não gosto de ponto rendado, não gosto de ponto enfeitado, não gosto de buraco entre os pontos.
Gosto de ponto básico, malha, sem detalhes, minimalista. Sou a fã fiel do ponto Meia.
A cada novo projeto, tento me convencer a experimentar algo novo, só um pouquinho mais elaborado, algo que saia daquele eterno arroz com feijão e café com leite que sempre faço, e me dedico a pesquisar. Horas e horas olhando Bibliotecas de pontos. Em algum momento me canso e realizo o projeto em Meia.
Em um dado dia, os astros se moveram e se alinharam no espaço, e eu encontrei o : Ponto Linho. Eu já tinha um fio escolhido e um projeto ansioso na fila de urgência, foi só juntar as coisas... É um ponto bem simples que requer apenas ritmo, algo que sou desprovida, mas eu enfrentei a empreitada em nome da beleza. 
O trabalho foi lento e arrastado, o tecido foi crescendo em velocidade de metamorfose.
A trama é maravilhosa, o tecido realmente parece um linho bruto e encorpado e se utilizados um fio fino e macio dá uma nobreza de pano da realeza.
Encontrei o MEU ponto mais lindo do mundo. Ponto Linho.
Tenho cultivado a ilusão de que farei um sueter , com fio finíssimo que demorará anos para ficar pronto, é uma boa ilusão ! :)))
 

Com quantos paus se faz uma canoa ?

 

Quem nunca, neste vasto mar das artesanias, não acumulou ferramentas e materiais ? 
Que atire a primeira pedra !!!
Eu, com todas as tentações de minha humanidade e uma dose boa de compulsão infantil, só tenho como patrimônio umas três ou quatro caixas de materiais para atividades diversas.
Fios, agulhas, tesouras, uma máquina de costura, uns tecidos, uns ítens de papelaria e este tantão de agulhas que dariam para tecer uma ponte entre a Terra e a Lua.
Aí não satisfeita com as agulhas compradas eu comecei a construir outras, com madeiras maiores e mais grossas ou então umas micro feitas com palitos de dente ou varetinhas selecionadas meticulosamente.
Quando deu a "Febre das agulhas circulares" aí eu caí nos estojos, mas o meu baixo poder aquisitivo nunca me permitiu atingir os patamares mais elevados, então me permiti experiências com as cópias baratas, até encontrar as minhas agulhas perfeitas.
Sou uma tricoteira esquisita que tem uns gostos meio diferentões e adoro experimentar novos materiais e formatos, e de tudo que já experimentei até agora as minhas preferidas são as ChiaoGoo e as alemãs Ergonomics Prym (sim de plástico mesmo, amo).
Sempre me divirto com a fantasia de ser sobrevivente em um naufrágio, e ser arrastada para uma ilha e sair juntando galhinhos para fazer agulhas e fiar todas as palhas das palmeiras e em dois tempos já teria vestuário, roupa de cama e se vacilar faço uns trançados que sairiam boiando mar afora até eu ser resgatada com uma coleção inteira pronta, huahuahuahuahua.
Com quantas agulhas eu teceria uma canoa ?

Altamente Influenciável (Os filmes)

 Sou uma espectadora detalhista, observo cenários, textos, objetos de decoração e figurinos.
Pode ser apenas uma fotografia, uma campanha publicitária, uma peça de teatro, uma animação ou um filme, lá está meu olhar passeador que para em riste e se posta como um cão farejador que localizou algo que procurava.
Tenho visto muitos vídeos de pessoas comuns realizando suas tarefas do dia a dia, em diversas partes do mundo, e em muitas situações as pessoas estão usando peças confeccionadas por elas ou presenteadas por alguém querido.
Algumas destas peças mostram o quão diferentes são os modelos e as técnicas de tecelagem de cada local permitindo que façamos deliciosos passeios por culturas tão distintas.
Meu olho cola, eu corro para registrar a imagem e pesquisar e tentar reproduzir.
É uma delícia !!! Uma grande diversão !!!
Quer seja um personagem de ficção, quer seja uma pessoa comum, a alegria é a mesma, poder construir artesanalmente algo que foi admirado e desejado, é como a maravilha de tocar uma canção com a qual você se identifica mas que outra pessoa quem fez !!!

esta peça vi em um vídeo de construção 

esta é a minha interpretação

 


Imagine minha reação quando ao assistir a um vídeo no canal de Tia Weston, me deparei com a cena dela e seu pai usando estes gorros coloridos de crochet...Imediatamente parti para a pesquisa e descobri o que era um Beanie Scraphat, ou traduzindo: um gorro de retalhos ou sobras de fios.
 Paixão instantânea.
Já teci uns 10, em tricot, em crochet, na vertical, na horizontal, estou tentando fazer em tear, e estão na fila os de crochet tunisiano e o de knooking. 
Hiperfoco da vez, e os bonitinhos serão doados para a população em situação de rua nesta campanha do agasalho.

Tia Weston e seu pai  

Crochet horizontal 

  

Crochet Vertical 1

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O maior dos quebra cabeças (Baby Surprise Jacket), o meu Monte Everest

Fonte: Wikipedia



Fonte: Wikipedia

Em 1968, Elizabeth Zimmermann esperando a chegada de seu primeiro filho, projeta o Baby Surprise Jacket. Esta peça é um clássico padrão americano e é tecida de forma plana e ao final ao ser dobrada e realizada uma pequena costura está finalizada. Esta peça tornou-se muito popular e marcou a identidade da obra de Elizabeth.
Para as tricoteiras este tornou-se um popular rito de passagem, elevando suas capacidades técnica para um outro nível.
Estima-se que em 2014 passaram de 20.000 postagens de Baby Surprise Jacket confeccionados por tricoteiras de todo o planeta e publicadas em uma conhecida rede social de um site especializado em tricot e crochet.
Eu me meti nesta enrascada e resolvi subir o Monte Everest de joelhos.
Foi o maior desafio de tricot no qual me enfiei até hoje, custou muito cérebro em chamas, mas consegui. Nunca mais farei outro, mas valeu como uma maratona, cheguei viva, atravessei a faixa, nunca mais.
Foi bonito e definitivo. 
Odeio receitas. 

Este é o meu Baby

 
e será filho único

A terrível febre das Meias

Um dos maiores problemas que enfrento é que tenho pouco raciocínio geométrico e espacial.
Cada vez que inicio um projeto, tento desenhar a ideia, traço a rota que vou seguir e vou tentando arranjar soluções para transpor os obstáculos.
Sim, é claro que seria mais simples e fácil, seguir uma receita bem básica, mas só de falar a palavra "receita" o meu tédio desperta e eu acabo desistindo pelo caminho, prendendo lãs e agulhas adormecidas nos cestos "Em Andamento".
Tenho uma mãe que tem apetite voraz por meias de lã e usa as que tem até que s remendos se amontoem uns sobre os outros resultando em Meias Frankstein.
Ok, vou aprender fazer meias e substituir estas meias monsters.
Receita de meia, nãoooooooo ! Tentativa e erro. Debaixo para cima, de cima para baixo, só um tubo ou com calcanhar, liso ou elástico... Vamos lá, desafio lançado, o resultado é febre !  




a primeira: tubo liso com cano elástico


a segunda: toe up longo tubo liso





1a tentativa de calcanhar

Projeto Método: cada cor um procedimento, cast on, aumento,calcanhar,diminuição...

1a tentativa do método


agora não paro mais...


 

O gigantesco desafio dos Casacos

 Talvez eu já tenha tricotado mais de 100 cachecóis, já crochetei saias, vestidos e dezenas de blusinhas, mas sempre fugi dos casacos. 
Golas, bolsos, botões: tudo me parecia ser resultado de muitos cálculos, contagem de pontos e receitas, ou seja a coisa que eu acho chatíssima...
Quando resolvi embarcar nas tentativas, me liberei de usar medidas e seguir da maneira instintiva e improvisada que são naturais na personalidade das minhas tecituras.
Respira fundo, toma impulso e vai !!!









A musa Riley de Sense8


Riley, da série Sense8, é uma personagem inspiradora, trata-se de uma DJ da Islândia, que nos brinda com um figurino maravilhoso repleto de peças em tricot e crochet. 
Quando eu vi a série, fiquei alucinada e embarquei em projetos de diversas peças, altamente desafiadoras para a minha pouca técnica, mas divertidíssimas de realizar, pois permitiam a liberdade na busca de soluções.
Riley foi musa de uma série de gorros e blusas e ainda tem projetos na fila, em minha lista de futuros.





Aí entro eu com as minhas versões:









Depois vem a série Blusas: